O endolaser é uma das técnicas mais modernas e eficazes disponíveis para o tratamento de varizes, e uma das mais pesquisadas por pacientes que receberam indicação de tratar as safenas ou varizes de maior calibre.
Mas também é uma das técnicas mais mal compreendidas. Muitas pacientes chegam ao consultório achando que o endolaser resolve tudo, ou, ao contrário, com medo de que seja um procedimento complexo semelhante à cirurgia convencional.
Neste artigo, explico o que é o endolaser vascular, como funciona, para quem é indicado e como ele se encaixa dentro de um plano completo de tratamento de varizes.
O que é o endolaser vascular?
O endolaser vascular, também chamado de laser endovenoso ou EVLA (Endovenous Laser Ablation), é uma técnica minimamente invasiva para tratamento de varizes de maior calibre, especialmente safenas insuficientes e suas tributárias.
O procedimento consiste na introdução de uma fibra óptica extremamente fina no interior da veia doente, por meio de uma punção mínima, sem cortes, sem remoção cirúrgica. A fibra emite energia de laser que aquece a parede interna da veia, provocando sua contração e fechamento progressivo. A veia tratada é então absorvida naturalmente pelo organismo nas semanas e meses seguintes.
O fluxo sanguíneo é redirecionado automaticamente para veias saudáveis adjacentes, sem prejuízo para a circulação.
Como o endolaser se diferencia da cirurgia convencional?
- Realizado em consultório, sem necessidade de internação
- Anestesia local tumescente, sem anestesia geral
- Punção mínima em vez de incisões
- Retorno às atividades em 24 a 48 horas na maioria dos casos
- Menor risco de complicações pós-operatórias
- Resultado comparável ou superior à cirurgia convencional em termos de eficácia e durabilidade
Para a maioria das pacientes com safena insuficiente, o endolaser é hoje a primeira escolha de tratamento, quando bem indicado.
Para quais casos o endolaser é indicado?
O endolaser é indicado principalmente para o tratamento de safenas insuficientes, as veias de maior calibre que, quando doentes, alimentam o surgimento de varizes em toda a extensão da perna. É indicado quando:
- Há refluxo confirmado no Doppler vascular nas veias safenas magna ou parva
- As varizes visíveis têm origem em safena insuficiente não tratada
- Houve recorrência após tratamentos anteriores por não tratamento da safena de origem
- O diâmetro da veia é adequado para a técnica, conforme avaliação com Doppler
Além das safenas, o endolaser também é utilizado no tratamento de veias tributárias e varizes grossas, por meio da técnica ATTA, que permite abordar varizes de maior calibre de forma minimamente invasiva, sem necessidade de cirurgia convencional.
Como é realizado o procedimento?
- Mapeamento prévio com Doppler vascular para planejamento preciso do trajeto
- Punção mínima para introdução da fibra óptica no interior da veia
- Aplicação da anestesia tumescente ao longo do trajeto venoso
- Ativação do laser com retirada progressiva da fibra, promovendo o fechamento da veia
- Curativo compressivo ao final
O procedimento dura em média 60 a 90 minutos e a paciente retorna para casa no mesmo dia. Para pacientes com maior sensibilidade ou ansiedade, o óxido nitroso está disponível, promovendo relaxamento e reduzindo o desconforto durante o procedimento.
O que esperar após o endolaser?
O retorno às atividades cotidianas costuma acontecer em 24 a 48 horas. Nos primeiros dias é normal sentir:
- Desconforto leve e sensação de tensão ao longo do trajeto tratado
- Leve hematoma na região da punção
- Endurecimento ao longo da veia tratada, que vai sendo absorvido progressivamente
O uso de meia de compressão é indicado nas primeiras semanas, parte fundamental do resultado.
O endolaser resolve tudo?
Não, e é importante que essa expectativa esteja clara. O endolaser é uma etapa dentro de um plano de tratamento mais amplo. Ele resolve a causa profunda, a safena insuficiente ou as varizes grossas tributárias, mas não elimina automaticamente todas as varizes e vasinhos já existentes na perna.
Após o endolaser, o plano segue com o tratamento das varizes intermediárias e, por último, dos microvasos superficiais, com escleroterapia, espuma densa ou laser transdérmico, conforme o caso de cada paciente.
Endolaser e cirurgia convencional: quando ainda se opera?
Apesar de o endolaser ter substituído a cirurgia convencional na maioria dos casos, existem situações em que a abordagem cirúrgica ainda é indicada:
- Varizes muito volumosas em determinadas localizações anatômicas não acessíveis pela técnica endovascular
- Casos com anatomia venosa complexa que exige abordagem combinada
- Recorrências muito extensas após múltiplos tratamentos anteriores
A decisão entre endolaser e cirurgia é sempre baseada no Doppler e na avaliação clínica individualizada, não existe resposta padrão.
Se você recebeu indicação de tratar a safena ou tem varizes de maior calibre, a avaliação completa define se o endolaser é a técnica adequada para o seu caso.
